Saturday, August 16, 2014

Tá bom né, mundo?

Tava pensando em escrever um texto sobre o turbilhão de desgraças que vem ocorrendo, quando vi o post da minha amiga Maria no FB “tá bom né, mundo?”, em reação a morte trágica de Eduardo Campos. Achei perfeito pra resumir meu sentimento. Essa semana chorei todos os dias ao ler textos e ver videos sobre o que esta acontecendo no mundo.

A começar pelas guerras. Assisti um video do EIIL atirando a queima roupa em centenas de jovens no Iraque, como se essas pessoas não tivessem o direito de existir. Pessoas que são parte de uma família, uma comunidade e uma trajetória, que aos olhos do EIIL, não merece ser percorrida. Em um dos videos, alguém disse que pior do que morrer, é esperar pela morte. Sao centenas de pessoas vivendo na expectativa de serem abordadas pelos terroristas a qualquer momento. Crianças, mulheres, jovens, velhos. Todos no mesmo saco de infiéis, sendo eliminados sem dó nem piedade.

Na Africa, milhares de pessoas estão morrendo de Ebola, uma doença que não tem cura e é super contagiosa. Os infortunados que a contraem alem de não terem esperança de melhora, são separados de suas famílias e amigos para morrerem sozinhos. Como se não bastasse, tem espertinho por ai se aproveitando da  desgraça dos outros e prometendo uma cura milagrosa através da venda de remédios impostores pela internet. Vendendo esperança vazia pra quem já não tem nada.

Depois veio a noticia da morte do Robin Williams, que após alegrar a vida de tantos por anos, se matou por conta de uma depressão. Que ironia do destino e que perda pra quem fica. Pensar que um cara que era querido por tantos não sentiu que poderia recorrer a ninguém na hora do desespero e preferiu tirar a própria vida deixando o mundo órfão de seu talento e carinho.

E agora mais essa do Eduardo Campos. Muitos dizem que ele significava a reinvenção da política brasileira e uma esperança pro país. Política a parte, ele era pai de cinco, marido, filho, e ao que tudo indica uma pessoa boa e bem intencionada. Ai uma tragédia dessas acontece e fica tudo de cabeça pra baixo.


Tá bom né, mundo?

Thursday, May 29, 2014

Isso me faz chorar...

Sabe o líder do Boko Haram, aquele grupo de terroristas nigerianos que já matou mais de 10.000 pessoas nos últimos 10 anos e recentemente seqüestrou centenas de adolescente que, há essa altura, após terem sido estupradas múltiplas vezes, já devem ter sido vendidas e portanto destinadas a uma “vida” infernal para sempre? Sabe o líder do trafico de drogas do Rio, que manda matar uma pessoa com a mesma facilidade que eu ou voce decidimos que sabor de sorvete tomar? Sabe esses politicos do mensalão que roubam dinheiro que deveria servir para construir hospitais e escolas e, portanto a vida das pessoas, como se fosse a coisa mais normal do mundo, e depois colocam a cabeça no travesseiro revestido de algodão de 1000 fios na maior tranquilidade? Então, todos esses um dia foram bebezinhos. 

Ao me tornar mãe eu descobri que um bebe é a coisa mais pura e divina que existe. Eles nascem totalmente perfeitos, inocentes e vulneráveis, e assim como uma esponja nova vão absorvendo e reagindo a um pouquinho do mundo a cada dia. As primeiras mudanças são físicas. O bebe começa a mostrar irritações na pele, cólicas, alergias etc. É o primeiro impacto do mundo aqui de fora sob eles (pelo menos que nós percebemos, eles provavelmente já sentem algum impacto dentro da barriga através das experiências da mãe).

Depois eles vão começando a sacar a psicologia do mundo, a desenvolver métodos para conseguir o que querem e uma pessoinha com personalidade vai aparecendo. É um processo continuo e, quando menos se espera, já estão ai cuidando do próprio nariz e achando mico a mãe por perto fazendo dengo.

Mas enfim, o meu ponto aqui é que todos nós já fomos bebes, e nascemos assim puros e abertos pra absorver o que quer que seja que inicialmente nos é apresentado e que mais tarde, por algum motivo, venhamos a buscar. E daquelas bolinhas de amor indefesas se fazem pessoa de todos os tipos, índoles, ética, motivação.

Tanto o Gandhi quanto o Hitler um dia foram bebezinhos puros e esponjas limpinhas, sedentas para absorver o que estivesse ao alcance. E todos eles provavelmente tiveram uma mãe que os achavam a coisa mais linda e pura do mundo.

Então como os bebezinhos se transformam em adultos tão ruins? Como pode? O que há de errado com esse mundo que uma pureza tao deslumbrante se transforma em assassino, ladrão, traficante? Pensar nessa transformação me faz chorar.



Wednesday, January 1, 2014

Feliz Ano Novo

To devagar aqui no blog mas aproveito o ano novo pra escrever. 
2013 foi especial. Muita batalha e muita conquista. A maior alegria do mundo foi receber o Benjamin. Um sonho de anos se tornando realidade, mal dá pra acreditar. Pra completar, passamos os últimos dias do ano cercados da família que veio a Los Angeles conhecer o pequeno e trazer muito amor pro nosso lar. Tem sido incrível e não tenho como agradecer o carinho e apoio que estamos recebendo.
Porem foi também um ano difícil, com desafios e medos, alguns ainda por serem superados. 
O reveillon foi bem diferente dos últimos 35 anos. Eu que sempre fui festeira e fã dessa ocasião, esse ano tive uma experiência bem diferente. Nos reunimos na minha casa e decidimos comemorar a passagem do ano no horário de Miami que eqüivale a 9 da noite aqui. Na hora da virada eu estava só com o Benjamin, dando de mama.  Logo em seguida, Lucas veio com uma rosa e uma tacinha pra gente brindar. Depois que o baby ficou satisfeito e dormiu, fui abraçar o resto da família que estava aqui em casa. Foi um reveillon inesquecível. 
Passamos a meia-noite, horário de LA, dormindo. Nunca tinha feito isso antes, mas foi tudo de bom pra repor as energias e se preparar para mais um dia de dedicação ao nosso pequeno.
Desejo a todos um ano novo cheio de realizações, conquistas, paz, amor e a cima de tudo muita saúde. 

Beijos

Saturday, November 10, 2012

Comunicando


Hoje fui assistir Lincoln, o filme novo do Steven Spielberg.
Apesar de eu só ter entendido mais ou menos 65% do filme pois eles usam um inglês que não se fala mais, gostei muito. 
Foi um pouco triste ver como as conversas do meu dia a dia são chatas e banais em comparação com aquela época. Qualquer papinho ali parecia importantíssimo, serio, profundo, uma beleza.
Mas o  que eu não consegui parar de reparar foi como os meios de comunicação mudaram, muitos avanços tecnológicos. A velocidade da informação, que naquela época ia por telegrama em caso de urgência, mas que na maioria das vezes era feita por parte de uma mensageiro que ia realmente (e não virtualmente) entregar a mensagem, era outra.
Me lembrei de quando eu era adolescente, antes do Facebook e ate do celular, que se um menino quisesse falar comigo, ele tinha que ligar pro telefone fixo da minha casa e correr o risco de ter que falar com a minha mãe, imagine só! Depois veio o celular sem "bina" e o suspense de quem tava ligando. A tecnologia foi avançando e me lembro quando as mensagens do dia seguinte vinham por orkut e eu achava tão estranho e impessoal. Estranho hoje é alguém bater na porta sem avisar, telefonar sem antes mandar mensagem por Facebook. Um amigo disse outro dia que o telefone aproxima quem tá longe a afasta quem tá perto, muita verdade.

Wednesday, September 26, 2012

Perdão


Hoje é o dia do perdão na religião judaica. É o dia de ficar de jejum, de deixar de lado as tarefas do dia a dia, e de refletir sobre o ano que passou. Dia de pedir perdão por coisas que nos arrependemos de ter dito ou feito.
Claro que tive meus momentos de perder a cabeça e fazer algo de que não me orgulho. Tive momentos de raiva, momentos de falar da vida alheia, momentos de inveja. E por eles peço perdão para aqueles ao meu redor.
Mas se reflito sobre os anos que passaram, chego a conclusão que tenho mais a pedir perdão pra mim mesma. Perdão por me boicotar, perdão por coisas não ditas ou por coisas não feitas por falta de coragem ou de ânimo. Perdão por exigir demais de mim mesma e nem sempre confiar no meu taco. Perdão por plantar na minha cabeça cobranças que eu acho que vem de fora, mas que no fundo são criadas por mim mesma. Perdão por muitas vezes não conseguir desligar o cérebro pra ouvir o coração. 
E como é difícil a gente se perdoar...
Nesse ano que se inicia eu espero me dar uma trégua. Me cuidar e me amar mais do que nunca, e dessa forma ficar mais livre e aberta pra cuidar, amar e perdoar os outros também.
Um ano doce e de descobertas pra todos, com muito amor e carinho.
G'mar Chatima Tova.

Thursday, August 16, 2012

O vestido



Estava eu provande um vestido na loja. Precisava de ajuste então chamaram a costureira. Ela alfinetou daqui e de lá e me mostrou como ía ficar. Porém avisou que ficariam aparecendo pequenas rugas no tecido.
Eu que já estava na dúvida, dei uma prensa na mulher (que por sinal era brasileira) e perguntei: mas você acha que vai ficar bom mesmo? ou vai ficar feio? essas inseguranças da pessoa que não tem uma irmã por perto pra ir junto comprar vestido de festa...
Mas enfim, a bahiana me responde que ía ficar bom, mas que se eu já estava sendo negativa e achando o contrario, era melhor eu não comprar. Não comprei.
Tudo bem que eu se fosse ela não falava isso, pois ela perdeu o serviço e eu acho que ela realmente acreditava que ficaria lindo. Mas esse episódio me fez pensar no seguinte: o quanto o pensamento positivo influencia o sucesso na nossa vida e consequentemente a nossa felicidade.
Não vou nem entrar na parte zen que pensamento positivo atrai energias positivas, pois sei que os mais céticos juram de pé junto que isso não faz sentido. Mas nesse caso, por exemplo, se eu comprasse o vestido mas ficasse cismada que o conserto não ía dar certo, não haveria Valentino pra deixar o vestido perfeito. Então não teria jeito de eu ficar feliz.
Eu sou  ótima pra fazer uma escolha e depois ficar me questionando. Coisa que não leva ninguém a lugar nenhum mas é dureza de mudar. Lição pra mim... E quem sabe pra alguns de vocês.

Friday, August 10, 2012

As versões da verdade


As vezes (muitas vezes) a gente acha que as pessoas estão mal intencionadas. Ja aconteceu com você? Mas pensa comigo:  você, normalmente, esta mal intencionado? Eu sei que eu não to. E se eu te conheço e você é meu amigo, eu acho que você também não esta. E você tem os seus amigos e família, que tem seus amigos e família e por aí vai. Pensando nessa lógica, no geral as pessoas não estão mal intencionadas.
Porém, mesmo assim, nós discordamos, brigamos e nos decepcionamos com pessoas que assumimos que tem boas intenções. Ou seja, as pessoas fazem coisas por que acham certo fazer, mas como nós achamos o certo diferente, ficamos chateados. E só pra enfatizar o ponto, quem fez o que fez normalmente acredita que esta fazendo o certo,  mas o certo de um claramente nao é o certo do outro. Daí as diferenças.
Enfim, to dando essa volta toda pra contar o que aconteceu outro dia.
Eu tava dirigindo pro trabalho (é, mais uma das minhas historias no transito de LA). Eram duas filas de carro na rua, eu tava na da direita. A fila da esquerda estava parada e a minha movendo bem devagar. Foi aí que um carro da fila da esquerda se jogou na frente do meu. Ele não colocou seta, e conforme mencionei, a fila dele tava parada, então foi literalmente aquela cena do cara virar toda a roda pra direita, se desenfiar do espaço que ele estava ocupando pra se enfiar na minha frente. Ele me pegou de surpresa e só freiei quando vi que ía bater, não deu tempo de parar antes. Ficou aquela situação dos dois parados, ele quase aqui, eu quase lá. Aí pronto, começou o stress. O cara me olhou com uma cara que me embrulhou o estômago, e antes que eu pudesse entender o que estava acontecendo, ele começou a me mostrar o dedo e fazer todos os sinais mais nojentos. Acabei deixando ele entrar na minha frente, e a orquestra de palavrões e gestos durou a eternidade que levou pro sinal abrir.  Eu fiquei chocada e com medo. O cara tava tão revoltado que eu podia vê-lo saindo do carro pra vir tirar satisfação comigo ali no meio do transito. Ou pior, pra me agredir. 
Mas enfim, pela reação do motorista frenético ficou obvio que ela se sentiu injustiçado e que ele tinha certeza que eu tinha feito a pior coisa do mundo. Tudo bem que o cara também deve ser nervozinho e ter um temperamento daqueles, mas imagino que se vocês ouvissem a historia da boca dele, a versão seria bem diferente. Cada um com a sua verdade.