Friday, October 15, 2010

Back to the basics

Semana passada tive um curso de quatro dias sobre liderança. Eramos 30 gerentes de 7 empresas diferentes. Fiquei surpresa e feliz com o fato que passamos mais da metade do tempo aprendendo a importância de ouvir. Algo tão básico e óbvio, mas que vamos desaprendendo com o tempo.

O nome pomposa pra teoria é Reflective Thinking. Ensina que temos dois tipos de pensamento: refleXivo e refleCTivo. Reflexivo vem de reflexo, ou seja, uma imediata reação ao que escutamos baseada nos nossos instintos. Os instintos, adquirimos com o tempo, em função de nossas experiências. Se alguma vez brincamos com fogo e nos queimamos, nosso cérebro assume que toda vez que brincarmos com fogo, a gente vai se queimar, portanto nossa reação racional é ficar longe dele. O pensamento reflexivo tem o mesmo conceito. Em função de situações que experimentamos no passado, temos a tendência a rapidamente tirar conclusões sobre coisas que nos estão sendo ditas, sem necessariamente entender as particularidades daquela situação e as reais motivações daqueles com quem estamos conversando. E ainda vamos além, tendemos a rapidamente formular um plano de ação. E uma vez formulado, ignoramos novas informações. Resultado: interpretações erradas e planos que não resolvem a situação.

Você deve estar pensando: “eu não faço isso”. Eu também pensava. Até fazer algumas simulações que foram filmadas, e depois ver com meus próprios olhos como esse comportamento ficou óbvio. E o mais surpreendente, o mesmo aconteceu com os outros 29 participantes do curso. Todos profissionais bem sucedidos de nível genrencial. Foi um balde de água fria.

O pensamento refleCTivo é quando tentamos nos ater aos fatos relatados, e baseados apenas neles, tentamos entender o ponto de vista da outra pessoa. É basicamente fazer as perguntas certas SEM PRÉ-JULGAMENTO antes de chegar a conclusões. Parece óbvio, mas não é, porém é muito eficaz. Estou simplificando a teoria, afinal passei mais de dois dias batendo nessa mesma tecla, mas recomendo a todos fazerem ao menos uma perguntinha a mais quando estiver pronto pra sair dando soluções pro comentário dos outros. Muitas vezes o outro não quer a solução, só quer conversar e ser entendido.

Esse episódio me fez pensar também na Técnica de Alexander, um conceito que minha irmã Gabi estuda e ensina. Em linhas gerais diz que quando somos pequenos, temos a postura correta e usamos nosso corpo da forma mais apropriada. Ex: se uma criança tem que pegar algo que caiu no chão, ela naturalmente dobra o joelho pra nao forçar a coluna. Com o tempos vamos desaprendendo essas coisas básicas, e estragando nossa postura.

Os dois são casos de maus hábitos que adquirimos com o tempo, e que na minha opinião, temos que tentar eliminar e voltar ao básico.

……..

Mudando de assunto, to saíndo pro aeroporto rumo a uma viagem pra visitor os escritóriso do Google em Sydney, Shanghai e Tokyo. Ficarei lá por duas semana, e assim que der, posto novidades por aqui. Se alguém tiver alguma dica sera muito bem vinda.

Beijos, arigatô.

Monday, October 4, 2010

E as eleiçoes?

Eu como blogueira novata me sinto na obrigação de escrever sobre as eleições. Tenho pensado sobre isso, e sinceramente não sei que viéis tomar. É claro que eu poderia passar páginas e páginas registrando minha indignação com a eleição do nosso palhaço Tiririca e seus amigos, com os 30 + % de votos na Weslian Roriz, com Romarios, Garotinhos etc, sem falar na Dilma, que felizmente não levou de primeira, mas ainda tá perigando.

Mas esses temas já estão mais que cobertos por aí, eu não teria muito pra acrescentar, e esse post seria totalmente deprimente.

Então resolvi escrever sobre como me senti nesses últimos dias. Já fazem quatro anos que não voto, desde que me mudei pros EUA, e nunca me preocupei em encarar a burocracia necessária para exercer minha obrigação e direito daqui. Esse ano pela primeira vez me arrependi. Apesar da vergonha de possibilidades escancaradas no programa eleitoral, eu gostaria de ter contribuído pra fazer o cenário um poquinho menos pior.

Acho que a possibilidade de Dilma no poder foi um dos fatores que me fez querer votar, mas mais ainda foi ver meus amigos, muitos dos quais nunca nem quiserem ouvir falar de política, engajados em defender seu ponto de vista. É claro que o facebook foi mais uma vez o mensageiro, mas fiquei impressionada e orgulhosa ao ver a minha geraçao querendo fazer um Brasil melhor ao invés de simplesmente reclamar que tá tudo horrivel e nao tem jeito de melhorar.

Enfim, eu não gosto e quase não entendo de política, detesto discutir assuntos quando só sei uma parte da história e não quero entrar em debates sobre preferencias, mas que queria ter votado no Serra, isso queria…

Aproveito a oportunidade pra dividir um dos piores (ou melhores) videos dessa temporada eleitoral, que vi pela primeira vez no perfil do FB da Flaivia e quase me fez chorar.
bjs


Wednesday, September 15, 2010

Afinal, o que é importante?

Quando tenho algo importante pra fazer, principalmente se for relacionado a trabalho, fico ansiosa, stressada, não consigo desconectar. Eu tenho plena consciencia de que essa ansiedade não ajuda em nada, mas por mais racional que eu tente ser, é mais forte que eu.

Resultado: fico com inveja da arrumadeira, do jardineiro e de todos esse profissionais que tem seu trabalho de 9am as 5pm, com tarefas simples e operacionais. Tem noção? Nada contra essas profissões, mas eu fico achando meio surreal eu almejar isso…

Aí vem a pergunta: meu trabalho é mesmo estressante, ou sou eu que acho qualquer coisa importante demais e levo tão a sério que me tira o prazer de trabalhar?

Essa semana eu tava numa reuniao debatendo sobre uma apresentação que estava preparando para uns bam-bam-bans do Google. Estávamos quebrando a cabeça pra decidir o que e como apresentar, até que uma menina soltou o seguinte comentário “ainda bem que esse esforço todo é para curar cancer”. Começamos todos a rir.

Então, eu não estou trabalhando para curar cancer, nao estou lidando com casos de vida ou morte, não sou médica nem advogada, portanto no fundo no fundo, nem a mais importante das minhas tarefas é tão importante assim… Não tô qurendo diminuir meu trabalho, mas to tentando convencer a mim mesma que tem coisas importantes, e coisas I-M-P-O-R-T-A-N-T-E-S, e que achando as coisas importantes muito IMPORTANTES a vida fica mais chata e complicada.

Moral da história, é melhor eu aprender a diferenciar a importância das coisas, caso contrário até um emprego de jardineira vai me tirar o sono.

Ai, preciso voltar pra Yoga urgente!

beijos

Saturday, September 11, 2010

Have a great life!

Hoje tava andando de bike e um senhor nos seus 70 anos, com uma pinta até de morador de rua, passou por mim. Ele pediu informação sobre one ficava um hospital e eu como novata na area não sabia. Mesmo assim ele respondeu com um “thank you, have a great life sweetheart”.

Gente, “have a great life” é tudo de bom. O que pode ser melhor que isso? Uma great life é muito mais que uma vida de alegrias e realizações. É uma vida completa, com dificuldades e aprendizado e crescimento. E só depende da gente fazer a vida ficar great. Acho o máximo um estranho desejar algo tão grande pra alguém.

Anyways, pode ser bobeira e ele epode ter falado da boca pra fora, mas made my day.

Beijos….& have a great life!

Wednesday, August 25, 2010

By the way...

Minha mãe me perguntou hoje que fim levou nossas conversas com os vizinhos, e eu me toquei que deveria comparilhar com todos.
Respondemos ao gesto fofíssimo deles com um thank you card e os convidando para tomar um vinho na nossa casa. Eles vieram na semana seguinte. Foi uma delícia. Os dois são super gente boa, tranquilos e divertidos. Ele trabalha com pós-produção de cinema, ela faz PhD em arquitetura.
Ele é judeu, ela não. Estão casando em duas semanas.
São da nossa idade e íntimos do gato que ronda nossa vizinhança. Inclusive nos alertaram que ele só come atum importado.
Enfim, acho que podem ser nosssos primeiros amigos de LA.
beijosssss

Race to Nowhere

Mais um do bons tratos do Google: um grupo chamado filmmakers at Google organiza eventos pra pessoas interessadas em cinema. Eu fico de olho na programação, e de vez em quando participo, como foi o caso ontem.

Assistimos o filme chamado Race to Nowhere. É um documentário produzido por uma ex-advogada de Wall street, mãe de três filhos, que resolveu tomar uma attitude perante situação muito difícil que estava impactando sua família, assim como a milhares de outras famílias americanas e em outras partes do mundo. Resolveu fazer um filme sobre o sistema de educação.

Sua filha pré-adolescente que era uma criança feliz e cheia de sonhos, derrepente começou a se fechar e perder o brilho nos olhos. Uma mudança tão profunda que certamente marcará sua vida pra sempre.

O filme mostra entrevistas com adolescents, pais, professores, psicólogos, médicos e especialistas do sistema de educação Americano. São 85 minutos de relato sobre a infelicidade de crianças e adolescentes, causada pelo stress a que elas são submetidas por professores, pais e toda a sociedade Americana.

Crianças de 5/6 anos são testadas varias vezes por semana. Adolescentes passam 7h por dia sentados na sala de aula pra chegarem em casa e enfrentarem mais 4 horas de dever, sob a pressão de serem reprimidos por seus pais, colegas e professores em caso de resistência à pesada carga de estudos que não deixa tempos pras elas brincarem e se descobrirem.

Essas crianças não tem a oportunidade de falhar. Muito pelo contrário, começam a competir desde cedo por uma vaga nas melhores universidades do país. O passaporte pra felicidade depende não somente de suas notas na escola que têm que ser perfeitas, mas também de sua performance em esportes, sua participação em atividades extra-curriculares, trabalho voluntário em suas comunidades, e a lista continua.

Essas crianças aprendem a fazer o que for preciso pra passar nos exames, incluindo colar nas provas ou deveres de casa, tomar litros de cafeína. Viram profissionais em decorar o conteúdo dos testes, só pra esquecer em menos de uma semana. Habilidades importantes como aprender a questionar os conceitos, aprender a arriscar e dar a volta por cima em caso de erros, criatividade, trabalho em equipe, nada disso é ensinado ou encorajado.

O resultado é não somente crianças e adolescente literalmente doentes, com insonia, anorexia e dores de cabeça crônicas devido ao stress, mas também indivíduos que deixam de seguir seus sonhos e vocações pra buscar um futuro desenhado por estranhos: o sucesso.

Mas afinal de contas, o que é sucesso? Nas escolas, sucesso é medido pelas notas. No mundo adulto, é medido pelo cargo, salário, carro. Mas onde fica a felicidade nessa história? Qual a ferramente usada pra medir felicidade? Estamos todos condicionados a buscar o sucesso determinado pela sociedade, como se todos fossemos iguais, tivessemos os mesmos dons e ambições, mas claramente esta não é a realidade. Estamos cada vez mais almejando o que os outros impoem, racing to nowhere.

Certamente essa realidade não se aplica a 100% das escolas ou famílias ou crianças, mas pelos comentários da produtora do filme, que ficou 2 anos pesquisando o assunto, é mais frequente do que podemos imaginar ou aceitar.

Dá um medo pensar só de pensar na possibilidade de ser mãe e ter que enfrentar isso tudo.

E aproveitando, um comentário não exatamente no mesmo tópico, mas que acho que tem uma boa conexão. Esse final de semana fui assistir o novo filme da Julia Roberts, “Eat, Pray, Love”, baseado no best seller de mesmo nome. Pra muitos que leram o livro, o filme foi decepcionante. Pra mim (que não li), foi excelente. É a história de uma escritora que começa a se desencantar com a vida e perde o contato com si mesma, portanto resolve largar tudo e passar um ano eating, praying and loving ao redor do mundo em busca do sentido de sua vida.

Acho que o assunto da escola e da educação em casa é grande responsável pela desconexão que alguns de nós temos com os nossos instintos, desejos, com o nosso particular significado de felicidade. Desconexão esta que se arrasta pela infância, adolescencia e vida adulta. Aqueles que tem coragem suficiente, largam tudo o que é secundário como trabalho, casa, rotina etc, pra buscar o básico: o conhecimento de si mesmo e a felicidade interior. Tem uma passagem do filme onde perguntam pra protagonista qual a palavra que melhor a descreve. Ela diz “escritora”. Os amigos retrucam: “escritora é a sua profissão, não o que você é.” Somos muito mais do que a nossa profissão ou conta bancária ou boletim.

Qual a sua palavra?

Ai, tô muito cabeça hoje...

Abaixo o trailer do "Race to Nowhere". Se quiserem saber mais sobre o filme, www.racetonowhere.com.

Beijos



Saturday, August 7, 2010

Gentileza tá fora de moda

Nesse mundo agitado e apressado de hoje em dia, sinto que cada vez mais as pessoas estão focadas em seus próprios objetivos, e em chegar lá o mais rápido possível. Seja no trabalho ou na vida pessoal, acaba sobrando muito pouco tempo pra dar uma desviada, olhar em volta e voluntariamente fazer coisas que não nos trazem um benefício diretíssimo ou que estão ligados aos nossos gols e ã lista de afazeres do dia a dia. Acho que resumindo, tá faltando tempo pra gentilezas.

Somado a isso, as relações estão cada vez mais virtuais. As pessoas se conhecem através de sites de relacionamento, mantém o contato por email ou facebook, fazem compras sem sair de casa, e por aí vai. Estamos cada vez mais auto-suficientes e nos desconectando das relações humanas.

Pois ontem fui supreendida muito positivamente com uma gentiliza old school e inesperada. Lucas tava saíndo de casa pra tirar o lixo e se deparou com um presente pra gente na porta de casa. Nosso novos vizinhos deixaram um vidro lindo de azeite e um cartão de boas-vindas. Um ato tão simples despertou coisas tãaao boas. Não só fiquei me sentindo muito bem vinda na vizinhança, com já gostei demais desses vizinhos. Quero convidá-los aqui pra casa, conhece-los melhor.


Talvez se a minha avó lesse esse texto, ela acharia sem sentido eu escrever sobre isso, pois talvez pra ela fosse tão óbvio que se um vizinho novo entra no prédio, nada mais natural do que dar-lhe as boas vindas. Porém atualmente as coisas estão diferentes. É a falta de tempo, mas também é quase estranho fazer um gesto assim pra alguém que não se conhecesse. É mai fácil ficar longe e manter o individualismo, ou no máximo mandar um email de boas vindas, ou uma mensagem no facebook. Mas escrever um cartão e colocar um presente na porta do outro acabou ficando muito fora de moda e quase estranho. Infelizmente.

Agora tô aqui pensando como retribuir. Não vou negar que me passou pela cabeça pedir o email deles pra gente combinar virtualmente um jantar aqui em casa, rs. Aceito sugestões…