Tuesday, April 3, 2012

A Separation



Fui assistir o filme "A Separation". Conta a historia de uma família que mora no Iran. A mulher quer se mudar pra outro pais em busca de uma vida melhor. O marido quer ficar e cuidar de seu pai que tem Alzheimer. A filha adolescente esta no meio e dividida. O filme é longo e intenso. A historia vai ficando cada vez mais enrolada e eu como espectadora tava angustiada pra chegar no fim e ver como tudo ia acabar. Quem era bom e quem era o vilão.

Pois pra minha decepção e surpresa fiquei sem saber. Esse é um daqueles filmes que não tem fim. Que não mostra quem tá certo ou errado nem um final justo e feliz.  No desenrolar dos 120 minutos novos fatos iam sendo desvendados fazendo a história cada vez mais complicada e amarrada eu ía mudando de opinião sobre quem era a vítima e quem era o culpado.  O filme é uma trama complicada que envolve doença, amor, pobreza, religião, duvida, crianças. Essas coisa tão presentes no dia a dia de todos mas que nem por isso são banais.

O filme mostra como cada um tem sua verdade, e que por mais que ela seja a SUA verdade ela não é mais verdadeira que a verdade do outro. Que por mais que as pessoas não estejam mal intencionadas elas podem fazer mal as outras. Que a vida não é preta e branca mas muitos tons de cinza.  Uma lição de tolerância e aceitação. 

Monday, April 2, 2012

Ilusion


Tava "surfando a net" e achei esse video que me tocou, portanto resolvi postar por aqui.
Eu que já sou fã da Marisa Monte não custei muito pra achar linda essa gravação. Mas gostei mais ainda porque a musica fala de fé. As vezes é difícil acreditar num sonho e achar que vai dar tudo certo. Eu sou craque em querer controlar  o destino, planejar cada passo e duvidar que as coisas darão certo e que o que parece impossível pode acontecer.
Enjoy! 


Monday, March 5, 2012

A voz do corpo


Meu professor de Yoga sempre fala da importância de observar nosso corpo e aprender com ele. Coisa obvia porem que muitos de nos ignoramos no dia a dia.

Esse final de semana ele falou de algo especifico que achei muito interessante: a inteligência do nosso sistema digestivo. Ele processa tudo que a gente coloca pra dentro e filtra o conteúdo. Assimila o que tem valor e coloca o lixo pra fora. E quando coloca pra fora ponto final, não tem volta. As vezes demora um pouco, um dia inteiro de ressaca pra expelir o álcool ou algumas visitas ao banheiro pra se livrar daquela comida que não caiu bem, mas eventualmente expele tudo e aquele monte de coisa que faz mal sai de uma vez por todas.

Nosso corpo faz isso desde que nascemos. Naturalmente.  Mas nossa cabeça não é tão objetiva. Nossa cabeça tem uma dificuldade enorme de separar o joio do trigo. De agarrar o que nos faz bem, as relações que nos fazem bem, as atividades que nos fazem bem, os pensamentos que nos fazem bem, e de deixar pra traz tudo que ocupa lugar na mente e não traz nada de positivo. O rancor, o sentimento de culpa, a duvida sobre o passado, a falta de amor próprio. Eu mesma sou óptima de ficar martelando pensamentos que me embrulham o estômago e não levam a lugar nenhum, de ficar remoendo discussões ou preocupações, fatos do passado ou coisas que não tenho mais como mudar.

É certamente mais fácil falar do que fazer, mas nosso corpo é sábio então vamos ouvir a voz da experiencia!

Friday, February 17, 2012

O ocidente no oriente


Singapura é uma doideira e o máximo. O lugar mais Ocidental do Oriente. É cheio de regras e de organização. É uma coleção de andaimes e tratores semeando construção e crescimento da cidade/pais em aterros sobre o mar. Eu fiquei num hotel dentro de um dos prédios mais incríveis que já vi. Cinquenta e tantos andares divididos em três torres envidraçadas, unidas no topo por um navio gigante que transborda uma infinita piscina infinita. Difícil imaginar? Dou uma ajudinha com as fotos abaixo. 


Singapura tem também uma ilha da fantasia, conhecida como Santosa. So faltava o Tatu. Um lugar lindo, água cristalina com ilhotas que separam o banhista do turbilhão de navios cargueiros que entram e saem espalhando riqueza. Tudo organizadíssimo, diversas linha de onibus com acesso grátis a todos os cantos da ilha. Tem também um parque de diversões, shopping, cinema e tudo que uma ilha da fantasia tem direito. Ate um bondinho tipo pão de açúcar pra transportar as pessoas entre Santosa e Singapura.

O esporte nacional do pais é Compras. São centenas de shoppings, um atras do outro. Onde fica a escola? no shopping. E o medico? no shopping. E a academia de Yoga? Ue, no shopping. Reza a lenda que as pessoas vão as compras de manha, andam, andam, andam. Quando não aguentam mais, param para uma massagem no pé dentro mesmo do shopping e começam tudo de novo. Não é a toa que lá esta a maior Louis Vitton do mundo, na beira do Rio, toda envidraçada e imponente.




Apesar do consumismo desenfreado sustentado pela classe alta, Singapura também é refugio e fonte de esperança pra muitos imigrantes de países pobres das redondezas que deixam família e passado pra traz e se mudam pra ilha em busca de uma vida melhor. Trabalham por uma merreca com muito poucos direitos e agradecem cada dia pela oportunidade. É uma abundância de mão de obra barata que da margem a regras duras para os trabalhadores e o medo constante do desemprego e risco de deportação.  

Enfim, adorei o lugar, a mistura de culturas e o desenvolvimento. O toque adicional foi a companhia dos amigos queridos Pat, Ed, Pipi e Henrique no final de semana que me acolheram e mostraram um pouquinho do dia a dia singapuriano. Voltarei!




Wednesday, February 8, 2012

Maquina do tempo

É muito louco esse negocio de voar. Saí de casa no sábado meia-noite e, 15 horas depois, era segunda 7 da manha. Em Hong Kong.
Não só "gastei" 15h da minha vida sentada numa cadeira de avião, como o domingo não existiu, evaporou. Que sensação esquisita de ter pulado um dia, de não ter vivido. 
Juntando essa viajem no tempo com o filme que assisti no avião, deu uma sensação ruim. O filme chama "One Day" qeu eu ja tinha lido o livro e recomendo. A historia é de um casal que se conhece quando adolescentes e tem um dia incrível. Mas por acasos, coincidências e muita falta de comunicação acabam passando por encontros e desencontros. O filme mostra aquele mesmo dia daquele mesmo mês ano após ano. A vida da voltas ate que é tarde demais pra eles ficarem juntos. 
Que medo de perder tempo e de ser tarde demais pra qualquer coisa.
Ainda bem que em duas semanas eu volto no tempo de novo e ganho minhas horas de volta!

Saturday, January 28, 2012

Paciencia e disposição

Pela terceira vez vou escrever um post de ano novo. O tempo voa e já fazem mais de dois anos que venho confidenciando meus pensamentos a vocês. Obrigada por me ler.

Na virada pra 2010 eu resolvi que não ia resolver nada. Em 2011 eu fiz a listinha de resoluções: cumpri a metade. Esse ano resolvi tentar algo diferente. Fiquei pensando no que eu acho fundamental pra aproveitar ainda mais o que a vida tem de melhor e com 100% de mim e decidi que 2012 será o ano da PACIENCIA e da DISPOSIÇAO.

Achei obvio focar na paciencia quando comecei a realizar o quanto a falta dela me faz mal. A ficha caiu quando estava no Rio nessas férias de final de ano. Na única vez que sai dirigindo fui a Barra. Tava parada num sinal movimentadíssimo (pros cariocas, esquina da Bartolomeu Mitre antes de virar pra pegar o túnel). Quando finalmente o sinal abriu e era minha vez de acelerar, o taxi na minha frente começou a andar a 5Km por hora. Antes de tentar entender o que estava acontecendo o sangue subiu e meti a mão na buzina. Acabei conseguindo sair de traz do "idiota" que obviamente só estava fazendo aquilo pra me irritar. Passei o sinal e quando dei uma olhada pelo retrovisor vi o pobre do motorista saindo do carro e empurrando pra um canto. O cara tava na maior má fase, com o carro quebrado no meio daquele pandemonio, e eu preocupada em não perder o sinal. Moral da história: eu fiquei estressada e me sentindo mal por ter sentido raiva do cara. Tudo por conta da falta de paciencia. Pronto, deicidio, foco nela.

O ano de 2011, especialmente o final dele, foi meio devagar. No trabalho as coisas ficaram mornas por meses e eu entrei numa de ver televisão demais, dormir demais, ficar no facebook demais. E quanto mais eu fazia isso, menos eu tinha vontade de fazer outras coisas e a preguiça imperou. O saldo foi uma sensação de tempo perdido. Portanto resolvi que esse ano também vou focar na disposição. Importante ressaltar que continua comprometida a assistir minha novela:)

Thursday, December 22, 2011

Doação

Antes de mais nada acho que devo uma explicação aos meu poucos mais fieis leitores. Nos últimos meses estive sumida por falta de tempo (trabalho, viagens) e também porque fiquei totalmente viciada e não conseguia largar os livros do Stieg Larson (Girl with the Dragon Tatoo etc). Pra quem ainda não leu e gosta de ficção, highly recommend.

Hoje quero escrever sobre doação. Eu moro nos EUA e sei de todos os defeitos e estereótipos dos americanos e desse pais. Porem apesar da cultura capitalista e individualista, uma coisa que admiro muito é o costume de filantropia.

Eu primeiro me dei conta disso quando estava aplicando pro MBA e percebi que uma parte importante do processo de seleção era relativo a experiência do candidato com trabalho voluntário. Nos EUA qualquer adolescente já doou tempo pra alguma causa. Eu tinha uma experiência aqui e outra ali que deu pra garantir a minha vaga no curso, mas nada comparado com o pessoal da minha turma, que tinha trabalho voluntario como algo tão importante como aprender inglês ou matemática.

Durante o MBA, mesmo com a carga infinita de estudos, dedicação a procura de um novo emprego e, é claro, a farra de estar de volta as aulas, as pessoas arrumavam tempo pra trabalhar por uma causa. Tinham grupos dedicados a alinhar alunos com ONGs e dias em que a escola inteira ia pintar um centro comunitário, ajudar crianças com dever de casa e assim por diante.

Depois de dois anos o bichinho da caridade me mordeu, e escolhi passar dois meses das minhas férias fazendo trabalho voluntário em Samoa. Eu  e mais três amigos trabalhamos num projeto pra uma empresa de micro-financas, instituição que empresta dinheiro pra pessoas muito pobres poderem começar seu próprio negócio. Foi uma experiência incrível onde tive a oportunidade de conhecer pessoas e costumes que eu jamais imaginei. Acho que recebi tanto quanto ou mais do que dei.

O Google tem um política de gift match. Ou seja, a empresa dobra o valor das doações de seus funcionários para instituições sociais. Tem também o Google Serve day, quando todos os funcionários da empresa tiram um dia pra fazer trabalho social. Esse ano eu fui trabalhar numa cozinha que prepara 1500 refeições por dia pra pessoas carentes. 

Todo ano o vice-presidente de engenharia lidera um programa pra levantar fundos pra um banco de alimentos. Foram arrecadados mais de $300 mil. Pra aumentar a farra, ele junta um grupo de funcionários no Costco (mega supermercado), que abre mais cedo só pro evento. Cada um ganha um quantia pra gastar em alimentos não perecíveis que vão pra instituição. A brincadeira é conseguir gastar o máximo possível dentro do tempo determinado. É muito inspirador ver aquele mercado gigante tomado por funcionários do Google correndo de um lado pro outro pra encher  os carrinhos com alimentos pra doação.

Mas o motivo pelo qual resolvi escrever sobre isso agora foram acontecimentos das últimas semanas.
A mãe de um menino do meu time no Google faleceu de câncer. O pessoal do trabalho queria prestar uma homenagem e ficamos sabendo que em menos de um dia os amigos da falecida criaram um fundo em homenagem a ela. O dinheiro arrecadado vai pra biblioteca que ela trabalhava. Ela amava livros enato ao invés de mandar flores, nada melhor do que ajudar a perpetuar sua missão de disseminar a leitura.

O outro evento foi o casamento da irmã americana do Lucas. Normalmente os noivos distribuem algum brinde para os convidados durante o casamento. Ao invés, eles decidiram colocar três vasilhas numa mesa. Cada uma representava uma organização sem fins lucrativos que tem significado especial pra eles. Os convidados recebiam uma estrelinha e colocavam em uma das vasilhas. Os noivos se comprometeram a fazer um donativo para as instituições de acordo com o numero de estrelinhas ao invés de distribuir brindes.

Aqui nos EUA essas coisas são corriqueiras, fazem parte da educação e dia a dia de todos. As vezes eu penso que quando tiver filho não sei se vou querer que eles sejam educados aqui, numa cultura tão diferente da minha. Mas pelo menos esse aspecto quero muito que eles aprendam!